Por quê não se deve eleger Salete Sirino para o Centro de Artes da FAP/UNESPAR?

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Na segunda-feira, dia 2 de junho de 2014, me causou espécie um email que recebi de uma antiga lista do curso de cinema da FAP/CINETVPR. Nele continha as propostas de uma candidatura ao Centro de Área de Artes da FAP/UNESPAR, em Curitiba e Pinhais. O estranhamento inicial – com um possível uso antiético de uma canal dos discentes para propaganda eleitoral e proselitismo – deu lugar as risadas pelas propostas ridículas e de como a candidata Salete Sirino se vê em seu material de campanha. Antes de não ridicularizar o que já é ridículo, venho desclassificar a sua candidatura de continuismo e situação, tendo em vista o seu histórico no contexto cultural e acadêmico do Paraná.

A eleição de Salete Sirino ao Centro de Artes da FAP é um erro a ser evitado pela comunidade acadêmica, que não evitou o seu ingresso por um concurso com uma banca equivocada e prazos dilatados para ajudar determinado candidato, desvios que até então deveriam ter sido assunto jurídico a ser tratado pela FAP e SETI.

Enfim, o foco por hora é para evitar um erro a ser cometido no próximo dia 10 de junho, pelas as razões a seguir:

1. O desempenho enquanto presidente da AVEC – entidade que representa os realizadores de cinema no Paraná – da referida candidata foi na melhor das hipóteses pífio, para não dizer reacionário. Em sua gestão nada de novo foi feito e a entidade só não ficou mais esvaziada que a gestão antecessora, que foi um fracasso total pela ausência de ações e pelas declarações públicas do antigo presidente. Ainda enquanto presidente, Salete foi e ainda é contra qualquer articulação com o Sindicato dos Trabalhadores do Cinema. E junto com a AVEC não reconhece o Sindicato. Foi extremamente leniente com todos os desvios da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, no péssimo programa Conta Cultura e na proposta, derrotada pela classe artística, de fusão da Secretaria de Turismo com a de Cultura. Da mesma forma que é leniente com os desmandos da FAP e da UNESPAR.

2. No que se refere a discussão de implementação do Sistema Nacional de Cultura no âmbito municipal de Curitiba, foi ausente e só se mobilizou pela permanência do Mecenato de Curitiba, na tentativa desesperada dos reacionários em manter esse balcão de negócios. No âmbito estadual articulou para a consolidação do atraso, que se expressou na eleição de uma funcionária estadual, professora da FAP e na época Coordenadora da Cinemateca de Curitiba, para ocupar um cargo da sociedade civil. O que culminou com a minha saída da AVEC expressa em uma carta aberta.

3. O seu desempenho como professora pode ser medido pela “moral” que tem no curso de cinema. Desconheço algum estudante que possa defender as suas aulas ou mesmo as suas atividades extensionistas, sempre pautadas pelo clientelismo como a descontinuidade e depois a desconfiguração do primeiro projeto que o curso tinha no Universidade Sem Fronteiras. Em termos acadêmicos, Salete não se insere em nada de relevante no cinema brasileiro. Sua condição insular na FAP é a mesma da ampla maioria dos que compõem o famigerado Colegiado de Cinema.

4. No que se refere a sua produção cinematográfica, em primeiro momento vejo com simpatia os seus filmes por serem todos toscos e buscando uma aproximação com o cinema de gênero, algo que Paulo Emílio Salles Gomes conceituo como a “nossa criativa incapacidade de copiar” o modelo americano. Posteriormente, fica evidente que a busca pelo financiamento da sua produção se faz a partir de uma rede de influência preocupada com a manutenção dos mesmos e com o ocultamento dos processos políticos por trás das escolhas dos projetos premiados. Salete é quase que uma coronel do cinema paranaense. E o tempo de coronelismo tem que acabar.

5. Enquanto membro do Colegiado de Cinema, eu desconheço qualquer ação para defender os estudantes do curso ou mesmo qualquer apoio as suas demandas estruturais e, principalmente, ao programa CINETVPR que instituiu o curso de cinema e o aporte que este ainda tem. A sua “contribuição” para a FAP foi um curso equivocado de pós-graduação, na modalidade de especialização paga e com um quadro docente inusitado para não dizer pobre, cujo os nomes ou são insignificantes ou meros “amigos” de set de filmagem.

Se existe algo que a Candidatura de Salete Sirino representa, é o continuismo do que se tem de pior no meio cultural e artístico, além da intensificação da precarização do ensino público de artes. E se existe algo que a candidatura de Salete Sirino não representa são as lutas sociais que o Paraná vive na gestão Beto Richa.

Pelos motivos expressos acima, eu faço um apelo para que a comunidade acadêmica não eleja o seu nome como Diretora do Centro de Artes da FAP/UNESPAR. Esse erro pode ser evitado!

Frederico Neto
Coordenador Geral - cinema.wiki.br Difusor Cultural na Sangue TV | 55(41)99132-5995

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